Acabei de receber uma ligação da mãe da Luana. Bem, ficamos 40 minutos falando. Ela me ligou para saber se eu gostaria de algo que era dela, uma lembrança. Conversamos muito, falamos coisas sobre ela, fiquei sabendo de como foi o acidente, de coisas que mexem com a gente… Expliquei que tenho tudo o que preciso da Luana, e que são coisas que não vão se perder ou desgastar. Lembranças boas, e a saudade que fica. Ela era especial, adorável, sempre jovem. Amou intensamente, curtiu intensamente, viveu intensamente. Fui intenso com ela, fomos intensos um com o outro. Sem culpados por não ter dado certo. O tempo passou, mas a intensidade da amizade não. Amigos intensos, daqueles que sempre ligam pra contar as novidades, as coisas boas, os empregos novos, as festas, a vida. Uma pessoa daquelas que se quer estar do lado sempre. Não existiam coisas ruins para ela. Era sempre só felicidade. Foi embora como um passarinho, no susto, sem pio, sem voo, sem choro, sem dor.
Não fico triste porque sei que ela brigaria comigo por causa disso. “Fê judeu”, como a mãe dela me conhecia, “Fê-lingua”, como estava no celular dela (nos conhecemos no El kabong, quando ela era hostess lá. Mostrei a lingua pra ela, pra resumir a história). Enfim, uma pessoa especial, daquelas que precisamos ter mais no mundo, para que, se não um lugar melhor, pelo menos mais divertido. O mundo fica menos colorido sem ela, com certeza.
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